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O inevitável declínio do petróleo russo: ferida auto-infligida

11 de Novembro de 2025

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O inevitável declínio do petróleo russo: ferida auto-infligida

A produção russa de petróleo está em declínio, não por causa de esgotamento natural das reservas ou por causa dos mercados, mas por razões ideológicas. Vladimir Putin está a travar uma guerra nacionalista de invasão da Ucrânia, desencadeando contra a Rússia uma cascata de sanções globais. O país está agora privado da tecnologia e dos conhecimentos ocidentais de que necessita desesperadamente para manter o fluxo do seu petróleo.

A tentativa russa de estabelecer um mundo multipolar moldado pela ideologia nacionalista está a provocar o lento colapso de uma indústria essencial à sua sobrevivência.

 

Campos envelhecidos e uma força de trabalho em extinção

Durante décadas, a riqueza petrolífera da Rússia fluiu dos seus velhos campos de produção na Sibéria ocidental e na região do Volga-Urais. Mesmo antes da invasão da Ucrânia, esses campos já tinham começado a secar. A única maneira de manter a produção seria o recurso às técnicas avançadas de fracturação hidráulica, como as que permitiram aos EUA ressurgir como gigante energético.

A guerra na Ucrânia mudou tudo. As sanções bloquearam o acesso ao equipamento, software e pessoal qualificado, necessários para explorar as reservas de xisto. Entretanto, o esforço de guerra retirou milhões de jovens da força de trabalho. O resultado é uma escassez de mão-de-obra tão grave que a Rússia não consegue nem mesmo manter as suas operações energéticas existentes em funcionamento, muito menos expandir-se para novas fronteiras.

Além disso, extrair petróleo do solo tornou-se cada vez mais difícil e caro para a Rússia. Os produtores têm de envidar mais esforços a cada ano apenas para manter os actuais níveis de produção.

 

Ataques ucranianos a refinarias reduzem a produção de petróleo

Outro factor que afecta a produção são os incessantes ataques dos drones ucranianos à infra-estrutura energética e às refinarias.

Assim, as exportações de combustível da Rússia caíram abruptamente. Nos primeiros dez dias de Outubro, por exemplo, a média diária de exportações caiu para 1,88 milhões de barris — o pior resultado desde o início de 2022.

A Bloomberg informa que a produção total de refinação da Rússia está agora abaixo de 5 milhões de barris por dia, marcando outro ponto mínimo que não se via desde a Primavera de 2022. Os ataques com drones atingiram mais de 20 grandes refinarias e as paralisações temporárias para manutenção reduziram significativamente a produção. Em consequência, o governo russo proibiu totalmente as exportações de gasolina.

Um ataque em Setembro também danificou o terminal de Ust-Luga, que lida com cerca de 60% das exportações de nafta da Rússia — um solvente essencial para a refinação de petróleo. Os carregamentos de nafta caíram 43% em Outubro, em relação ao mês anterior, para apenas 198 000 barris por dia, o nível mais baixo desde Janeiro de 2022.

 

A tecnologia que a Rússia nunca terá

A revolução do xisto americano não consistiu em perfurar mais poços, mas sim em perfurar de forma mais inteligente. Nos últimos 15 anos, os produtores norte-americanos adicionaram cerca de 8 milhões de barris por dia ao abastecimento global. Aumentaram a sua produção de 5,4 milhões para 13,5 milhões de barris por dia utilizando tecnologia de ponta: imagens de reservas petrolíferas geradas por IA, técnicas avançadas de fracturação hidráulica, bombas de alta pressão e plataformas de perfuração de última geração.

A Rússia precisa de todas essas coisas para explorar as suas vastas reservas de xisto. No entanto, as sanções cortaram, por exemplo, o software moderno de perfuração que mapeia formações subterrâneas e orienta a perfuração horizontal de poços que se estendem por três a quatro milhas. O seu actual software já está a ficar obsoleto.

A Rússia também carece de equipamento, como bombas de alta pressão, que podem custar até 60 milhões de dólares por cada conjunto de equipamento especializado.

A mão-de-obra qualificada também é um grande problema neste país com taxas de natalidade em queda livre. O país está a perder entre 45 000 e 50 000 soldados por mês. Homens jovens e saudáveis que poderiam ter sido empregados pela indústria petrolífera estão, em vez disso, a ser enviados para a Ucrânia como carne para canhão.

 

OPEP+, quota de mercado e ilusão de controlo

Na última década, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Rússia, conhecidas colectivamente como OPEP+, trabalharam juntas para manter elevados os preços do petróleo. A Rússia precisa desses preços elevados porque depende do petróleo para cerca de um terço das suas receitas, que usa para financiar a guerra contra a Ucrânia.

A OPEP+ tem como objectivo manter na faixa dos US$ 80 por barril os preços do petróleo bruto Brent. Em parte sob pressão da administração Trump, os produtores de xisto dos EUA subiram a produção, aumentando os stocks globais. Desde Abril de 2025, os preços do Brent caíram de US$ 80 para a faixa dos US$ 60. E novas quedas se esperam.

As flutuações de preço mostram como a situação na Rússia é frágil. O país precisa de preços elevados do petróleo para manter os seus campos depauperados e os equipamentos obsoletos a funcionar. Os preços baixos colocam em risco tanto a economia como a indústria petrolífera.

A perda do abastecimento russo também causará problemas a todos os outros, uma vez que os mercados energéticos globais mais restritos podem levar a futura escassez.

 

O legado de Putin: uma indústria arruinada e um povo sofredor

Este declínio da indústria petrolífera não tinha de acontecer. Mas ocorre porque a Rússia está a adoptar as filosofias antiocidentais e nacionalistas de ideólogos como Alexander Dugin, que ignoram o Estado de direito. Estes erros estão a alimentar a guerra na Ucrânia e a destruir a economia. São ideias tão rígidas que está a revelar-se difícil reverter um rumo que é potencialmente irreparável.

 

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