«Efemérides» - 30 de Outubro
No actual contexto da devastação de dezenas de cidades europeias, por hordas de invasores africanos e muçulmanos, e ainda em plena crise da gravíssima violação marroquina às fronteiras terrestres e marítimas de Ceuta e Melilla – territórios espanhóis – parece bem oportuno recordar como a aliança de dois reinos cristãos – Castela e Portugal – repeliu com sucesso uma poderosa ofensiva dos reis de Marrocos e de Granada. Foi na grande Batalha do Salado, travada a 30 de Outubro de 1340, nas margens do riacho do mesmo nome e em terras de Cádis, no sul da Espanha.
O rei Afonso XI de Castela estava em sérios apuros perante a ameaça de uma quase segunda invasão muçulmana da Península Ibérica, urdida e ardentemente desejada pelo rei de Marrocos e de Fez (Alboacém Ibn Ali Otomã), aliado ao emir de Granada (Yussuf I). Sem forças suficientes para enfrentar a enorme força inimiga, recorreu ao rei de Aragão e pediu também urgente ajuda ao rei de Portugal, seu sogro. D. Afonso IV enviou-lhe prontamente uma frota comandada pelo almirante Manuel Pessanha, mas mesmo com este reforço a situação era dramática para Afonso XI. As hostes mouras eram realmente poderosas e pareciam não dar grandes hipóteses a qualquer tentativa de resistência luso-castelhana.
D. Afonso IV reuniu então em Elvas o maior número possível de cavaleiros e peões, formando um contingente que ia aumentando com os efectivos vindos de vários pontos do país. Com este exército dirigiu-se a Castela, onde o genro Afonso XI o recebeu com todas as honras, acolhendo-o pessoalmente em Sevilha.
De Sevilha seguiram os dois exércitos para Tarifa, chegando oito dias depois a Pena del Ciervo onde avistaram o imenso arraial muçulmano. No conselho de guerra que os dois monarcas reuniram a 29 de Outubro, ficou decidido que Afonso XI de Castela enfrentaria o rei de Marrocos, enquanto Afonso IV de Portugal daria batalha ao emir de Granada.
Nos campos do Salado, tudo se dispôs para a batalha que devia travar-se ao amanhecer do dia seguinte. À cavalaria castelhana coube a primeira e bem sucedida carga sobre a cavalaria muçulmana. Depois foi a vez de Afonso XI atacar, travando renhida batalha com as numerosas forças inimigas e conseguindo pô-las em debandada.
Entretanto a retaguarda do exército mouro sofria novo revés infligido pela guarnição castelhana de Tarifa que caiu sobre ele em surtida inesperada, alcançando o acampamento de Alboácem Ali e espalhando a confusão na sua tropa.
Para D. Afonso IV o esforço dos combates foi maior porque Yussuf não estava disposto a perder o seu reino de Granada e porque as suas tropas se batiam com mais ordem e determinação. Não obstante, o rei de Portugal, acabou por conseguir romper a pertinaz frente do adversário e semear nela uma desordem que acabou por vencer e colocar em fuga os granadinos. A mortandade foi espantosa, ficando o campo de batalha pejado de cadáveres mas os dois reis cristãos tinham conseguido uma vitória completa graças à união dos seus esforços, ao excelente planeamento da batalha e ao emprego táctico das suas tropas.
Após a derrota, Alboacém fugiu para Algeciras e dali voltou para Marrocos. Quanto a Yussuf, recuou para Granada que ainda se manteve muçulmana por mais 150 anos, porém sem mais constituir tão séria ameaça para os reinos de Castela e Portugal.
Vale a pena notar que a vitória do Salado só se afigurou «impossível» enquanto não se acertou a união de esforços entre Afonso XI de Castela e Afonso IV de Portugal. A partir do momento em que se articularam, os seus soldados mostraram bem quanto vale um comando bem organizado e determinado. Cheios de confiança, enfrentaram com bravura uma força inimiga muito superior. É esta coesão de comando que falta à Europa, dividida entre Estados que repelem a invasão muçulmana e governos que a promovem abertamente. Aliás, esta é a situação que representa o pior inimigo: é muito mais difícil combater a desunião, a divergência ou a traição do que o inimigo que vem de fora. Este terá os seus dias contados a partir do momento em que toda a Europa se unir sob o estandarte da Cruz, determinada a defender os seus Valores e a venerável Civilização Cristã.