No século VI, quando a Etiópia fazia parte do Império Romano Oriental, sob o reinado do Imperador Justiniano I, foi governada por um rei negro chamado Calebe (mais tarde Elesbão, depois que se tornou eremita). Educado desde a infância na fé católica, o rei Elesbão governou o seu país com sabedoria e era estimado pelo seu povo, tendo conseguido expandir o reino cristão da Etiópia através do Mar Vermelho e até a Península Arábica e ao Iêmen, convertendo árabes e judeus à fé cristã.
A Arábia, porém, caiu sob o domínio de Dunaan, um rei que apostatou da fé católica e aderiu ao judaísmo. Era um governante despótico que perseguiu ferozmente o clero e os cristãos, destruindo as igrejas ou transformando-as em sinagogas. São Gregêncio que era então bispo de Tafas, foi expulso da sua diocese e Santo Arethas, governador de Nadjran e líder da reacção católica, foi decapitado junto com a sua mulher, filhos e 340 pessoas do seu povo. Cerca de 4.000 católicos foram mortos sem julgamento e depois de terem sofrido muitas atrocidades.
O Imperador Justiniano — também ele monarca piedoso e católico convicto — apelou então ao rei Elesbão para repreender o usurpador. Elesbão reuniu seu exército e cruzou o Mar Vermelho para punir a afronta desferida contra os cristãos. Desembarcando na Arábia, derrotou Dunaan e mandou executá-lo, reconduzindo São Gregêncio à sua sede episcopal e mandando reconstruir as igrejas arrasadas por Dunaan. Elesbão só deixou a Arábia depois que esta voltou a ser reino cristão, com a subida de Abramo ao trono.
Uma vez cumprida a sua missão de restabelecer a justiça e a paz, Elesbão regressou à Etiópia onde reinou por mais alguns anos, instruindo cuidadosamente o seu filho na religião católica e na governação do reino. Feito isto, renunciou ao trono e entregou o reino ao seu filho. Repartiu as suas riquezas pelos pobres e foi a Jerusalém depositar a sua coroa na Igreja do Santo Sepulcro, passando a viver como eremita num mosteiro das montanhas. Por ali ficou como simples religioso dedicado à oração, à obediência e ao trabalho..
Santo Elesbão morreu com fama de santidade em ano incerto, provavelmente entre 540 e 555. A sua festa litúrgica celebra-se a 27 de Outubro e na iconografia costuma ser retratado como eremita solitário com uma coroa aos seus pés e segurando nas mãos uma cruz.
Por ser rei negro, Santo Elesbão começou a ser muito venerado no Brasil pelos escravos africanos e seus descendentes.
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Fontes:
- Wikipédia (consultada em 25 de Outubro de 2026):
https://pt.wikipedia.org/wiki/Elesb%C3%A3o_de_Axum
- Tradition in Action do Brasil:
https://www.traditioninactiondobrasil.org/SOD/297_sd_Elesbaan_10_27.html