A Rainha Maria Antonieta foi decapitada em 16 de Outubro de 1793 pelos algozes da Revolução Francesa, na chamada «Place de la Concorde» (Praça da Concórdia). Projectada no mesmo ano em que a Rainha nasceu (1755), chamava-se originalmente «Place Louis XV» mas os revolucionários mudaram para sempre (em 1795) o nome e o significado deste lugar, transformando-o no símbolo da sua «concórdia», ou seja, no principal palco das execuções para aqueles que eram considerados inimigos do seu novo regime, supostamente baseado na «Liberdade, Igualdade, Fraternidade». O único «crime» cometido por Maria Antonieta foi o de ser Rainha da França…
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Neste quadro, a rainha da França, Maria Antonieta (1755-1793) segura a rosa com tanta arte que parece estar mostrando a flor para quem contempla o quadro, mas na realidade está a dizer: Veja-me e perceba como a rosa é um símbolo de mim mesma.
Nota-se nela não a força, nem a quantidade, mas a qualidade e a categoria. Ela não tem os esplendores da força, mas as superioridades da fragilidade quintessenciada. Alta categoria, alta tradição, alta ascendência, alto passado histórico representado numa pessoa fragílima. Entretanto, na sua fragilidade mostra a força daquilo que representa. Ela quase zomba e graceja com a força, afirmando: Vede, fisicamente sou toda esta fragilidade, mas sou tudo isto porque represento princípios.
No fundo, isso contém uma doutrina: o homem vale muito mais pela alma do que pelo corpo. Vale muito mais pela soma do passado com o presente, enquanto podendo florescer num futuro, do que simplesmente num instante da vida.
Onde está representada a força? Nela nada é mole ou largado. O corpo inteiro está teso e erecto, nada se mostra em posição cómoda, sobretudo a cabeça. O pescoço alto levanta-se, ela olha de cima, mas sem arrogância. Ela olharia assim até para um prédio de 80 andares, que comparado com ela se reduziria ao tamanho de uma caixa de fósforos.
Causa arrepio pensar que esse pescoço seria guilhotinado. Os revolucionários cortaram-no, pensando que diminuiriam a pessoa. Entretanto, a figura de Maria Antonieta ficou projectada para todo o sempre e até ao fim do mundo se falará dela.
Quando alguém é vítima de certa forma de brutalidade contra o direito e a tradição, a fragilidade nobre adquire a aparência de ter sofrido o martírio, cresce desmedidamente e permanece indelével.
As tentativas da força e da matéria não valem nada contra quem representa o espírito. A superioridade da tradição e do espírito está representada nessa mentalidade, que assim se afirma: «Sei bem o que eu sou. Sou o que sou».
Nota: Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de Junho de 1981. Sem revisão do autor.
“Catolicismo”, São Paulo, Março 2018, No. 807, página 52