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Rectidão natural e satanismo nas civilizações gentílicas

23 de Outubro de 2026

Plinio Corrêa de Oliveira

Plinio Corrêa de Oliveira

Rectidão natural e satanismo nas civilizações gentílicas

            Em números anteriores, temos mostrado que não se deve confundir certa rectidão natural existente em culturas gentílicas elaboradas antes da evangelização, com o carácter diabólico que infesta as manifestações culturais do neopaganismo hodierno. É que os frutos da natureza decaída podem ter algo de nobre e belo: é o que se nota entre os gentios. Ao passo que a apostasia da verdadeira Fé tem uma malícia muito maior que a dos povos que não conheceram Jesus Cristo. E não é de admirar que, na medida em que uma sociedade que foi católica se vá transformando em Cidade do demônio, na mesma medida o demónio lhe vá influenciando a arte e a cultura.

            Não queremos com isto afirmar a inteira ausência do demónio em relação ao mundo gentílico. Antes pelo contrário. Mas sua influência sobre esse mundo patenteou-se sempre de algum modo circunscrita e, se se manifestou com freqüênciana na arte e na cultura, todavia não chegou a dominá-las.

            Frisante exemplo disto está no contraste entre as duas fotografias desta página. A primeira apresenta-nos duas japonesinhas no encanto e na inocência de sua tenra idade. Os seus trajes são recatadíssimos e constituem vigorosa lição para os nudistas neopagãos das praias do Ocidente. Os coloridos variados têm um quê de poético, completado pelos ornatos da cabeça. Tudo muito regional, muito peculiar, muito artístico, muito digno e criterioso.

            Pelo contrario, este monstro em cuja máscara se instalaram todos os vícios, a ira, a lubricidade, o descomedimento, a insensatez, parece bem digno de participar num culto diabólico: é um dos figurantes de danças budistas no Tibet.

            O demônio penetrou no budismo. Isto é certo. Mas quem poderia afirmar que ele dominou toda a cultura pagã do Japão, vendo os trajes destas encantadoras crianças, que é impossível ver sem ter uma imensa vontade de as baptizar?

 

 

In "Catolicismo" Nº 64 - Abril de 1956

 

 

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