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O redil de Cristo e da Igreja

17 de Setembro de 2026

Corrispondenza Romana

Corrispondenza Romana

O redil de Cristo e da Igreja

Cristina Siccardi

 

O diálogo só pode ser autenticamente cristão quando conduz à verdade e à conversão. Quando se renuncia a anunciar Cristo como único caminho de salvação, a abertura ao mundo transforma-se num exercício estéril, que confunde as almas e obscurece a missão sobrenatural da Igreja. Para construir uma verdadeira comunhão, são necessários os mesmos princípios, a mesma doutrina e a mesma fé. Caso contrário, acaba-se por cair numa hipocrisia improdutiva. O mundo ocidental actual, tanto nas suas autoridades religiosas como nas civis, vive de múltiplas contradições, tendo perdido uma visão razoável da vida e da morte.

Basta considerar a decisão do Governo italiano em celebrar o funeral de Estado de Emma Bonino, incansável defensora, no plano filosófico e político, de uma cultura da morte. Declaradamente ateia e anticlerical, foi glorificada por aquela parte do mundo contemporâneo que se tornou loucamente nietzschiana, pelas suas batalhas a favor do assassinato de crianças que ainda habitam o ventre materno e a favor de todas aquelas fealdades presentes, frequentemente e de bom grado, nos chamados «direitos civis». No entanto, o Papa Francisco estabeleceu com Emma Bonino uma relação de amizade, alimentada por encontros e telefonemas e amplamente valorizada pelos meios de comunicação. Uma relação semelhante tinha sido estabelecida com Marco Pannella. Estes laços, no entanto, não pareciam orientados para indicar aos dois interlocutores o caminho da conversão e da salvação, mas sim para promover um diálogo como um fim que em si mesmo não dava frutos sobrenaturais visíveis.

Desde o Concílio Vaticano II que a Igreja tem realizado milhões de diálogos e confrontos com os «afastados»: tanto com o mundo ateu, como com os protestantes (ecumenismo) e com as mais diversas religiões (aspirações interreligiosas). Quais foram os resultados? Utopias que deram origem a grande confusão para todos, privando a Igreja das suas principais missões: pregar a única Verdade de Cristo, confirmar as almas na única Fé e dar continuidade aos ensinamentos reais e eternos do único redil.

As palavras do Evangelho tornaram-se obsoletas e foram substituídas por um «bem-pensar» de baixo custo, tão enganador quanto infrutífero. O respeito humano ilusório — incluindo as reivindicações feministas, como as de Ludovica Eugenio, directora da «Adista» (semanário de informação sobre o mundo católico e as realidades religiosas), favorável à abolição do celibato dos sacerdotes e à presença das mulheres na Hierarquia Eclesiástica — tomou o lugar do respeito pelos ensinamentos inquestionáveis de Deus.

De acordo com as directrizes da Igreja moderna, em última análise, já não existe um único rebanho: ouvem-se as opiniões de todos com honra e prazer, excepção feita daqueles que continuam a amar a Tradição da Igreja. Como é possível esta cegueira e esta surdez perante o que Jesus Cristo disse sobre a Igreja, comparando-a a um rebanho indivisível? «Em verdade, em verdade vos digo: […] Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, assim como o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. E tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também a estas devo conduzir; elas ouvirão a minha voz e tornar-se-ão um único rebanho e sob um único pastor. É por isso que o Pai me ama: porque dou a Minha vida, para depois a retomar. Ninguém ma tira, mas eu dou-a por minha própria vontade, pois tenho o poder de a dar e o poder de a retomar. Este mandamento recebi-o do meu Pai».

As ovelhas que entram no aprisco, por meio de Jesus Cristo, estão a salvo dos mercenários. Ele é o caminho indispensável para a salvação e para a comunhão com Deus, sendo os Seus ministros chamados a conduzir as «outras ovelhas», ou seja, «os afastados» — a quem a Igreja moderna se dirige, comprometendo-se e, por vezes, vendendo-se — em prejuízo do «único rebanho» e do «único pastor» do redil, o Corpo místico de Jesus Cristo.

A Santíssima Trindade deseja a salvação para todos, diz Isaías: «Farei de ti a luz das nações, para que leves a minha salvação até aos confins da terra» (Is 49,6). Afirma São Tomás de Aquino: «Jesus foi enviado para pregar fisicamente apenas às ovelhas da casa de Israel, segundo as palavras do apóstolo São Paulo: “Digo que Cristo foi constituído ministro dos circuncidados, pela veracidade de Deus, para cumprir as promessas feitas aos pais” (Rm 15,8). Em contrapartida, reuniu os pagãos por meio dos Apóstolos, segundo as palavras de Isaías: “eles anunciarão a minha glória às nações” (Is 66,19)».

Por isso, antes de ascender ao Céu, o Salvador, crucificado pelos pecados da humanidade, que oferece a possibilidade de alcançar a bem-aventurança eterna por meio d’Ele, ordenou aos Apóstolos: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19). Ele não disse: «Deixai-os nas trevas dos seus pecados e das suas iniquidades», mas sim: «Fazei discípulos meus em todas as nações».

Todos aqueles que, na Igreja, seguiram e continuam a seguir fielmente, santamente e com responsabilidade esta missão prescrita pelo Bom Pastor, unem-se ao imperativo de São Paulo: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9,16).

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Fonte: Corrispondenza Romana, 16 de Setembro de 2026

Tradução: Cristãos Atrevimentos

 

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