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O que acontece quando a esquerda avança demasiado depressa e demasiado cedo

03 de Setembro de 2026

Tradizione Famiglia Proprietà

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O que acontece quando a esquerda avança demasiado depressa e demasiado cedo

John Horvat

Pelo facto de não estar no poder, a esquerda americana parece ter todas as vantagens nas próximas eleições intercalares, atribuindo à direita a culpa pelo aumento do custo de vida, pela instabilidade mundial e por outros problemas. Os meios de comunicação liberais já estão na ofensiva, destacando incessantemente todos os problemas. No entanto, não se observa qualquer impulso por parte de nenhuma das duas facções. De facto, o Partido Democrata regista um apoio inferior ao do Partido Republicano entre os eleitores indecisos que, em última análise, serão aqueles que determinarão os resultados das próximas eleições, tanto agora como em 2028.

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RADICALIZAÇÃO DA ESQUERDA

Alguns definiram a luta no seio do Partido Democrata como uma guerra civil que surge precisamente no momento errado. O problema reside na radicalização da esquerda, como demonstra a ascensão dos Socialistas Democráticos da América (DSA). Os seus candidatos apresentam-se como democratas e vencem as primárias em círculos eleitorais seguros contra os candidatos do establishment democrata. Uma vez no cargo, os novos candidatos socialistas estão dispostos a alterar a dinâmica do cenário político.

Os estrategas pró-democratas vislumbram o perigo de uma reacção contra os candidatos radicais que poderia colocar o partido em risco. O rótulo de «socialista» continua a ser um anátema para inúmeros americanos que, com razão, vêem nesta ideologia prejudicial o caminho para a ruína. No entanto, os socialistas do DSA estão a subir a aposta, insistindo que a sua visão distorcida e «woke» da sociedade é a única esperança para a América.

A maioria dos progressistas mantém, de facto, firmes as suas posições «woke» sobre o aborto induzido, a imigração ilegal em massa, a criminalidade impune, os «direitos» dos transgéneros, o ambientalismo apocalíptico e outras questões. Consideram estes temas inegociáveis, pois fazem parte integrante da sua ideologia.

A ala dominante do Partido Democrata é, por sua vez, um pouco mais moderada. Embora partilhe os objectivos da esquerda, questiona os prazos, o alcance e a rapidez das mudanças propostas. Trata-se, antes, de dizer «agora não» e «não em tão grande medida». Para alcançar a vitória, estes membros mais moderados pedem aos radicais que suavizem o tom da sua mensagem e adoptem uma linguagem ambígua que todos possam aceitar. Exigem-lhes uma certa dose de desonestidade, concordando com opiniões contrárias às suas verdadeiras convicções. Muitos radicais sentem-se sacrificados.

Assim, por exemplo, Thomas Edsall, do New York Times, exorta os fiéis democratas a apoiarem pontos «razoáveis» a incluir no programa do partido sobre questões-chave como a imigração, a criminalidade e o transgenerismo. Convida o partido a «submeter-se a uma espécie de intervenção cirúrgica brutal», a fazer «uma renúncia pública» aos seus fardos ideológicos e até a realizar um «exorcismo ideológico» do seu programa de esquerda.

A sua mensagem parece querer dizer o que os democratas têm de fazer, se querem realmente vencer, é deixar de ser democratas. Têm de esconder ou adiar ainda mais a sua revolução. Só prevalecerão se mantiverem uma retórica não ideológica, um conteúdo leve e um debate focado.

 

DEMOCRATAS MODERADOS À DIREITA DO EPISCOPADO

Algumas das propostas de Edsall são francamente chocantes, uma vez que estão em nítido contraste com o que tem sido, desde há muito, o programa da esquerda. Isto não pode deixar de causar compreensível consternação entre os democratas radicais, que se sentem traídos. Assim, as propostas de Edsall apelam a que se renuncie às fronteiras abertas e se ponha empenho na aplicação rigorosa das leis sobre a imigração clandestina e na expulsão dos imigrantes «não autorizados» que cometem crimes.

Exigem que se persigam com firmeza os acusados de crimes violentos, que se reintroduzam alguns requisitos para a concessão de liberdade provisória e que se imponham mais penas de prisão perpétua. São até favoráveis à pena de morte decidida por um júri nos estados onde esta ainda está prevista. Isto significa uma posição que colocaria os democratas muito mais à direita do que os bispos católicos americanos.

No que diz respeito à questão transgénero, pede-se aos democratas para admitir que existem dois sexos: masculino e feminino. As pessoas podem reivindicar identidade do sexo oposto; no entanto, não se deve permitir que tal reivindicação altere a realidade do seu sexo biológico. Nos casos em que tal se revele injusto, as equipas desportivas devem poder excluir aqueles que pretendem identificar-se com o sexo oposto. Os tratamentos de afirmação de género devem ser proibidos para todos os menores de 18 anos — prosseguem as propostas de Edsall — uma vez que estudos convincentes revelam os graves danos daí decorrentes.

 

EVITAR A IMAGEM DE «MEIO MALUCOS»

Outras recomendações apelam para que se apoie o mercado livre e se rejeite o socialismo. Essas propostas reflectem algumas ideias de bom senso por parte daqueles que, dentro do partido, perceberam que a abordagem «woke» não funciona. Os democratas moderados, defensores da «terceira via», estão a promover este tipo de mudanças, pois desejam livrar-se da imagem de «meio malucos» do partido. O desejo irracional de manter uma ortodoxia ideológica rígida em relação aos pronomes, por exemplo, faz com que, muitas vezes, os democratas que usam «they/them» «pareçam estranhos, sem empatia». Os fantasmas dos activistas do movimento «retirar fundos à polícia» durante os motins do Black Lives Matter (BLM) de 2020 ainda pairam no ar.

Muitos outros estrategas democratas fazem eco às propostas de Thomas Edsall. Pessoas como James Carville defendem há muito que a agenda «woke» é criação de uma elite académica desligada da classe trabalhadora. A sua mensagem diz que o ritmo dos acontecimentos é demasiado acelerado. É preciso abrandar. Também Michael Sean Winters, jornalista da Jacobin que colabora com o National Catholic Reporter, exorta à moderação na longa marcha rumo ao poder. Os seus artigos estão repletos de conselhos dirigidos ao Partido Democrata, que defende o aborto, e que ele considera uma extensão do movimento pela justiça social da Igreja.

Winters considera que os democratas devem trazer um pouco de bom senso às guerras culturais se quiserem avançar. «Mesmo que os democratas acertassem em cheio no plano económico, teriam, ainda assim, de se distanciar do extremismo cultural que abraçaram nos últimos anos».

 

DESASTRE NAS URNAS

As posições «absurdas», destinadas a exibir a própria virtude, dão força à esquerda radical, mas revelaram-se desastrosas nas urnas. Como observou Ezra Klein, do New York Times, num ensaio recente:

«Os democratas assumiram uma posição mais intransigente em relação à imigração e perderam o apoio dos eleitores hispânicos. Deslocaram-se para a esquerda em relação às armas, aos empréstimos a estudantes e às alterações climáticas, perdendo terreno entre os eleitores jovens. Deslocaram-se para a esquerda em questões raciais, perdendo terreno entre os eleitores afro-americanos. Deslocaram-se para a esquerda em relação à educação, perdendo terreno entre os eleitores asiático-americanos. Deslocaram-se para a esquerda em matéria económica, perdendo terreno entre os eleitores da classe trabalhadora».

 

O TRIUNFO DAS MÁS IDEIAS

O problema dos Democratas não é, contudo, a forma como apresentam as suas ideias liberais. São as próprias ideias que afastam os eleitores, que ainda não estão preparados para abraçar um programa que inspira receio. A sua filosofia liberal exige um processo em constante evolução rumo a uma crescente ausência de freios. Ao longo dos anos, esta marcha para a esquerda subverteu gradualmente os freios saudáveis representados pela moral, pelos laços familiares, pelas normas comunitárias e pelas obrigações religiosas.

A tendência liberal para satisfazer as paixões desenfreadas exige constantemente mais concessões, ao ponto de nem mesmo o bom senso em matéria de identidade sexual poder ser tolerado. A esquerda está a avançar demasiado depressa e demasiado cedo. Pior ainda, a esquerda não pode fazer marcha-atrás. A pasta de dentes não pode ser colocada de volta no tubo.

 

UM DILEMA

A esquerda depara-se, assim, com um dilema. Nem os radicais nem os moderados põem em causa os princípios fundamentais de igualdade que os animam. Discordam apenas quanto aos métodos e aos prazos.

A esquerda radical precisa do dinamismo deste processo destrutivo e desenfreado para dar energia aos seus activistas e aos numerosos simpatizantes. Ao mesmo tempo, o establishment democrata precisa de uma moderação «razoável» para atrair o centro, que, com razão, se assusta com os «jacobinos» fanáticos.

Para vencer, os Democratas precisam tanto de energia como de moderação. No entanto, cada facção tende a sufocar a outra. E não é possível satisfazer ambas. A tentativa vã de realizar um «exorcismo ideológico» no partido revelar-se-á existencial, obrigando a esquerda a abandonar a sua identidade radical.

Também a direita se depara com um dilema semelhante. A única saída para a América é um regresso aos princípios, à moral e à ordem cristãs.

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Fonte: Tradizione Famiglia Proprietà – TFP Itália (in «Return to Order», 13 de Agosto de 2026)

Tradução: Cristãos Atrevimentos

 

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