Ajude o site Cristãos Atrevimentos com qualquer valor

Quero Doar

França: epicentro do ódio anti-cristão na Europa

30 de Junho de 2026

Avenir de la Culture

Avenir de la Culture

França: epicentro do ódio anti-cristão na Europa

Guillaume Gattermann

 

A multiplicação dos actos anticristãos em França já não se enquadra entre os factos isolados das notícias. Constitui, agora, uma tendência grave, documentada, quantificada e preocupante. É o que revela um relatório recente do Centro Europeu para o Direito e Justiça (ECLJ), que traça um quadro inequívoco: a França é hoje o país europeu mais afectado pela violência, pelas profanações e pelos actos de ódio dirigidos contra os cristãos.

 

Em 2024, as forças da ordem registaram na França 770 actos anti-cristãos, aos quais se somam outros 139 episódios assinalados pela sociedade civil. E, longe de se inverter, a tendência agrava-se: os primeiros seis meses de 2025 já revelam um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Estes números traduzem uma realidade que muitos católicos vivem na prática: igrejas saqueadas, tabernáculos profanados, altares ultrajados, estátuas partidas, hóstias roubadas, incêndios criminosos.

 

A lista dos locais afectados é eloquente: Sierck-les-Bains, Arudy, Mortagne-au-Perche, Provins, Saint-Loup-de-Thillois, Pantin, La Courneuve e muitos outros ainda. Em algumas igrejas, os sacerdotes descobrem excrementos e urina nos altares, cálices profanados, objectos litúrgicos roubados. Estes actos não são meros danos materiais: atingem directamente o que há de mais sagrado.


            Perante esta situação, no passado dia 26 de Setembro, 86 senadores franceses lançaram um apelo solene a favor de uma melhor protecção dos cristãos, recordando que a liberdade religiosa é um direito fundamental, tal como o das outras confissões. Uma iniciativa rara e corajosa, que sublinha a gravidade do fenómeno.

 

O relatório do Centro Europeu para o Direito e Justiça alarga o olhar a todo o continente. Em 2024, foram registados na Europa mais de 2 200 actos anti-cristãos. «Estes números, em constante aumento nos últimos anos, reflectem uma progressão inquietante da intolerância anti-cristã», sublinha o documento. E acrescenta: «Isto implica a marginalização dos cristãos na esfera pública, bem como uma progressiva criminalização das convicções inspiradas no cristianismo».

 

Depois da França, o Reino Unido ocupa o segundo lugar, seguido pela Alemanha, Espanha e Polónia. No conjunto dos casos analisados, quase metade dos factos consiste em vandalismo, 15% são incêndios criminosos, 13% profanações e 8% violência física dirigida contra pessoas.

 

Mas, para além dos números, o relatório debruça-se também sobre o perfil dos autores. Há três categorias principais identificadas: os muçulmanos radicalizados, os grupos laicistas militantes e os movimentos de extrema-esquerda. Os autores do relatório são explícitos: «Os muçulmanos radicalizados, muitas vezes em situação irregular e influenciados pela propaganda jihadista, constituem a principal fonte de violência física grave». Uma afirmação carregada de significado, raramente reconhecida pelos meios de comunicação generalistas.


            Mas afinal, quem se faz porta-voz disso?

 

O relatório insiste ainda num fenómeno mais generalizado, mas igualmente real: «Embora as suas motivações sejam diferentes, todos contribuem para a criação de um clima anti-cristão, no qual a violência física, os ataques simbólicos e as formas de pressão social ou institucional se reforçam mutuamente». Por outras palavras, a hostilidade não se manifesta apenas nas ruas ou contra edifícios religiosos, mas também no discurso público, nas instituições, nas escolas, nos meios de comunicação social e, por vezes, até na Justiça.

 

Esta situação alarmante revela uma contradição profunda: numa Europa que se proclama defensora dos direitos humanos, o cristianismo torna-se a única religião que a sociedade aceita  desprezar, ridicularizar ou atacar sem consequências reais. As cruzes ardem, as igrejas fecham, os padres são agredidos, mas a indignação permanece muitas vezes tímida, quando não é totalmente inexistente.

 

Este relatório funciona, portanto, como um sinal de alarme. Será que os nossos responsáveis políticos irão algum um dia encarar seriamente esta realidade?


Contribua doando qualquer valor Quero Doar

Fonte: Avenir de la Culture

Tradução: Cristãos Atrevimentos

Donativos